
Morro Grande/SC
Morro Grande/SC
Morro Grande é um pequeno município catarinense com aproximadamente 3 mil habitantes, segundo o último censo (IBGE/2010), que compõe o território do Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul. A maioria dos seus moradores são descendentes de imigrantes italianos que chegaram ao local em meados de 1918. Entretanto, sua relevância científica internacional, histórica e cultural remete-se também para muito antes disso. Em Morro Grande encontra-se montanhas, cachoeiras e fósseis, como troncos petrificados e conchostráceos, na formação Rio do Rasto (c. 260 milhões de anos). Do grande deserto do Período Jurássico, temos a formação Botucatu (c. 150 milhões de anos), com rochas que contêm ricos vestígios paleontológicos, principalmente os icnofósseis, como pegadas, rastros e tocas de animais pré-históricos. Inclusive é nestas rochas que encontram-se as paleotocas de Morro Grande, escavadas pelos animais da megafauna (tatus e preguiças gigantes) no Período Quaternário (entre c. 2,5 milhões e c. 11 mil anos). Um dos principais geossítios de Morro Grande é o complexo de paleotocas das Três Barras, onde estão localizados dez túneis no arenito Botucatu. As paleotocas morrograndenses guardam informações científicas importantes, como marcas de garras e carapaças, além de algumas delas terem sido ocupadas pelo ser humano, como os indígenas Lakãnõ-Xokleng e seus descendentes.

Por fim, temos as rochas da formação Serra Geral (c. 130 milhões de anos), resultado de grandes e intensos eventos de vulcanismo fissural que fragmentou o supercontinente Gondwana, dando origem ao Oceano Atlântico e os continentes América do Sul e África. Os derrames de lavas decorrentes deste evento são responsáveis pela formação de mais de um quilômetro de espessura de rochas vulcânicas, as quais constituem hoje grande parte da escarpa de Morro Grande. É nessa formação que encontramos os cânions do Realengo, Montenegro e Boa Vista, locais de encher os olhos em sua beleza cênica.

Posteriormente, os povos originários vinculados aos Laklãnõ-Xokleng ocuparam esses locais. Estes indivíduos viviam da caça (de répteis, mamíferos e aves), da pesca e de coletas de frutos, larvas, mel, pinhão, palmito, xaxim, entre outros. Ainda, considera-se a prática de uma agricultura incipiente, bem como a tecedura de cestos de bambu, modelagem de panelas de barro e composição de mantas com fibra de urtiga. A partir disso, a literatura recente sugere que eram povos seminômades, na qual possivelmente ocuparam provisoriamente furnas, paleotocas e cavernas, além da montagem de acampamentos com madeira, cipós e folhas. Dessa forma, foram encontrados inúmeros vestígios dos Laklãnõ-Xokleng e seus descendentes, como pontas de projétil, machadinhas, raspadores e mãos de pilão, que fazem parte do acervo do Museu da Terra e da Cultura de Morro Grande no Centro Cultural Pedro Dal Toé. Importante ressaltar, que foram estes indígenas que tiveram contato com o imigrante europeu que chegava à região entre o final do século XIX e início do século XX. Embates, extermínio e conflitos marcaram este encontro.

Além dos europeus, os tropeiros se apropriaram dos caminhos e trilhas já abertos pelos indígenas em meio a mata fechada, para transitar com suas tropas e mercadorias para a venda ou troca na região serrana e litorânea do extremo sul catarinense. Lugares estratégicos como a Serra do Pilão (Cânion Realengo) e o casarão Sasso em Nova Roma, foram usufruídos por estes mercadores viajantes. Inclusive, muitos morrograndenses possuem vínculos diretos com a cultura do tropeirismo até hoje, participando de eventos em CTGs e costelaços.

Estas miscigenações propuseram um rico patrimônio cultural material e imaterial, principalmente transitando pela gastronomia, religiosidade, agricultura, arquitetura rural, artes, artesanato, folclore, literatura, festas populares, entre outras expressões. Na comunidade de São Bento há o Santuário de Santa Gertrudes Comensoli, fundadora das Irmãs Sacramentinas de Bérgamo e que foi canonizada em 26 de abril de 2009 pelo Papa Bento VXI em Roma. Trata-se do único santuário no Brasil dedicado à ela. Já na comunidade de Rio do Meio encontra-se a Igreja Santa Ana, um dos patrimônios edificados mais preservados em sua arquitetura original, em que se destacam pinturas sacras nas paredes, teto e altar compostas pelo artista ítalo-brasileiro Pietro Cechet na década de 1940. Em Pigador, está a Gruta da Maria José, personagem que é tida como uma figura santificada para os locais e dona de uma história impactante.

Já no que tange as trilhas e pontos turísticos vinculados à natureza, destaca-se as cachoeiras do Bizungo, do Rio Pilão, do Arco-íris, da Toca do Tatu, da Pedra Branca, além da Queda do Risco, piscinas naturais e o próprio Rio Manoel Alves que corta o município. Para a visitação sugere-se a contratação de guias e condutores de turismo devidamente cadastrados na Diretoria Municipal de Turismo, para maior segurança, condução e mediação de informações relevantes. Em Morro Grande há o Centro de Atendimento ao Turista - CAT localizado no Centro Cultural Pedro Dal Toé, onde divulga-se e orienta-se os visitantes sobre as belezas, as potencialidades, as experiências, a conservação e os riscos. Morro Grande possui uma estrutura turística modesta e em desenvolvimento constante nos últimos anos, em que são promovidos cursos de capacitação para todo o trading turístico, como o Curso de Empreendedorismo e Turismo Sustentável e Curso de Condutores de Aventura, e eventos culturais, como a Agrofest que acontece de forma bienal e o aniversário de emancipação político-administrativa de Morro Grande anualmente. Essencialmente a economia do município também se desenvolve a partir da agricultura, em que o cultivo do arroz e fumo se destaca, além do plantio para subsistência de milho, feijão, verduras e frutas. Além disso, a pecuária também é muito intensa, onde a criação de frango é popularmente conhecida. Há também as atividades ligadas ao gado, desde a comercialização do leite até a fabricação de queijos.

Os primeiros imigrantes italianos que chegaram por aqui vieram da região norte da Itália, originários das cidades da região de Vêneto. Especialmente, as primeiras famílias chegaram de cidades brasileiras próximas como Nova Veneza, Morro da Fumaça, Urussanga e Cocal do Sul em meados de 1918. Nestes locais, haviam núcleos de imigrantes que chegaram na segunda metade do século XIX no Brasil. Na busca por novas oportunidades, migraram para Morro Grande essencialmente para trabalhar com agricultura. Por aqui famílias como Biff (variação de Biz), Daniel (em italiano Danieli), Dal Toé e Bitencourt, iniciaram a colonização local construindo suas primeiras casas de madeira. Posteriormente, uma segunda migração de outras famílias com origem de outras regiões da Itália aconteceu em Morro Grande, citamos no início do século XX: Fenali, Zuchinali, Grigio, Munaretto, Toretti, Mazzucco, Rosso, Pieri, Pazzini, Saccon, De Lucca, Frezza, Bordignon, Spader, Magagnin, Sasso, Venson, Menegon, Crepaldi, De Stefanni, Peruchi, Sartor (e variações como Sartori), Perdoná, Olivo, Favarin, Ferrari, Tomazi, Bosa, Smânia, Correa, Casagrande, entre outros. Historicamente os moradores, descendentes e natos italianos, preservaram dialetos da região de Vêneto no município de Morro Grande. Inclusive, é comum até hoje as pessoas utilizarem expressões linguísticas do dialeto em miscigenação com o português brasileiro. Destaca-se desde palavras de uso cotidiano até vocábulos religiosos, bem como os ditados populares, piadas, parolaccia e músicas italianas.

A partir desta imigração, os italianos foram responsáveis por batizar nomes de lugares fazendo alusão aos costumes, religião e nome de cidades de origem italiana. Em Morro Grande destacamos a comunidade de Nova Roma, local histórico para a cidade, principalmente por receber muitas destas famílias e por estar na rota dos tropeiros no século XX. Diz uma das variações da sua história, que recebeu o nome de “Nova Roma” por intermédio de um padre italiano que encontrou semelhanças entre a capital de Itália e o local por conta do cenário geomorfológico. Assim sendo aceito pelos moradores morrograndenses. O santo padroeiro da comunidade de Nova Roma é Santo Antônio de Pádua que inclusive até hoje, acontece festividades em sua honra no dia 13 de junho de cada ano. Há também as comunidades de Santa Luzia, São Mateus, Santa Bárbara e São Bento, santos originários ou com vínculo direto com a Itália e que fazem parte da cultura local.
A imigração italiana é responsável por inúmeros aspectos do patrimônio cultural morrograndense, a destacar por intermédio dos saberes envolvendo a agricultura. Destaca-se as múltiplas formas de plantar e colher, o uso das ferramentas (rodas d’água, zorra, arados, mesura, ceguetes, gadanhas, pilão etc.), a arquitetura rural (os engenhos, as atafonas, os ranchos, alambiques, entre outros), os meios de transporte de tração animal (carro de bois e carroças), entre outros. Muitas destas peças encontram-se no Museu da Terra e da Cultura de Morro Grande. A agricultura tem vínculo direto com a gastronomia, principalmente com o uso do milho, arroz, feijão, carnes (gado, porco e frango) e leite e seus derivados. Destaca-se a polenta, a fortaia, risoto, macarronada, churrasco, salame, queijo, pães sovados, doces, bolachas caseiras, chimias, sagu, pudim, minestra, ambrosia, vinho, cachaça, caldo de cana, torresmo, brodo etc. Os saberes envolvendo o fazer destes alimentos são passados de geração em geração por familiares originários da Itália. Destacam-se jogos como Mora e Bocha que até hoje são praticados pelos descendentes em lugares variados, inclusive serem promovidos campeonatos municipais destas atividades esportivas. É comum também serem realizados em encontros de famílias como é o caso dos dias em que se carneia os porcos, churrascos, aniversários e datas comemorativas.
Morro Grande está localizado no estado de Santa Catarina no sul do Brasil, entre os estados de Rio Grande do Sul e Paraná. É um dos 15 municípios que compreendem a AMESC - Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, realizado no Censo de 2022, Morro Grande possui aproximadamente 3 mil habitantes e uma área total 260,143 km². Ao norte faz divisa com São José dos Ausentes/RS, ao sul com Turvo/SC e Meleiro/SC, ao leste com Nova Veneza/SC e ao oeste com Timbé do Sul/SC.
Florianópolis/SC - 247 km
Porto Alegre/RS - 273 km
Criciúma/SC - 47,9 km
Torres/RS - 89,4 km
Praia Grande/SC - 95,7 km
Araranguá/SC - 31,8 km
Jaguaruna/SC - 86,8 km
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Morro Grande é um município agrícola, em que se destacam a rizicultura e a fumicultura, além da silvicultura, da agricultura de subsistência e da pecuária, essencialmente de frango de corte. O PIB é de R$ 50.318,40 e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,701. Morro Grande faz parte do bioma Mata Atlântica, em que se destacam fauna e flora diversificada e preservada. Apresenta 97,7% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 16,6% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 48,2% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada. No dia 30 de março de cada ano comemora-se a emancipação político-administrativa de Morro Grande, que antes pertencia ao município vizinho de Meleiro até 1991. Em 1992, de acordo com a lei estadual nº 8.559 assinada pelo Governador Vilson Pedro Kleinubing, foi elevado a município.
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Em março de 2024 a Assembleia Legislativa de Santa Catarina - ALESC, por intermédio do Centro de Memória, concedeu a digitalização de documentos históricos referentes ao Plebiscito, ao projeto e a lei que criou o município de Morro Grande ao acervo do Centro Cultural Pedro Dal Toé. Estes documentos podem ser acessados na íntegra no botão abaixo:
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